sábado, 21 de fevereiro de 2009

DOCE E AMARGA ILUSÃO
DO LADO ESTRANGEIRO
A notícia mais estapafúrdia ganhou destaque nos principais jornais do país. Em primeira mão, e com ênfase, a suposta agressão contra a brasileira Paula Oliveira, em Zurique na Suíça, foi divulgada pelo Jornal Nacional da Rede Globo no último dia 11 e atingiu uma grande audiência. O assunto levou ao questionamento da emigração. O que esses brasileiros buscam lá fora? O que une milhares de brasileiros que resolvem por o pé na estrada e construir uma vida fora do país?
Pois bem, a vida aqui no Brasil não é muito fácil mesmo, a maioria da população vive de salário mínimo, sofre com o caos na saúde pública, na política, sem muito poder melhorar a vida, entretanto, milharesde brasileiros não pensam sequer em abandonar sua cidade por diversos fatores; o maior deles: a família. Uma outra “minoria” assusta o consulado brasileiro, a coragem de alguns pela busca de uma utopia emblemática fazendo com que desejem o impossível através de uma aventura inóspita: emigrar para uma terra onde não conhece nem mesmo a própria sombra, na esperança de realizações financeiras.
Bem se sabe que muitas mulheres já decolaram com o sonho da “american life” e acabaram trabalhando como prostitutas. Que também os EUA já não são mais a atratividade de emprego, isso depois que os homens perceberam a exploração da mão de obra: trabalhos braçais que são apresentados como o restolho das profissões, na qual nenhum nativo ousaria assumir, muito menos a troco de salários insignificantes para a nação.
Dessa forma, a esperança de conseguir muito dinheiro passou a ter outros países desenvolvidos como estratégia. A nova era de um mundo globalizado, muitas vezes, dá oportunidades de emprego que o Brasil não oferece. Pensando nisso, e já que a emigração é uma realidade, uma cartilha para emigrantes foi publicada pelo consulado brasileiro, através do
Ministério do Trabalho, visando amenizar um pouco a dura vida de quem se frustra no exterior. As embaixadas brasileiras já disponibilizam esse relatório.
Percebe-se então que o caso da imigrante Paula Oliveira apenas passou pela formatação mercadológica da mídia. O fato dela ser
de uma família de classe média, em Pernambuco, não a poupou dos desafetos contra emigrantes. Deixando claro que não houve comprovação da tal agressão à moça pelos nacionalistas, o que houve foi uma espetacularização da notícia por ela ser uma emigrante. Infelizmente, muitos brasileiros sofrem no exterior, e não podem sequer gemer para não serem ouvidos. Para se ter uma vida frustrada lá fora é melhor que sofra aqui mesmo no Brasil, pelo menos há por perto um familiar para limpar as lágrimas, e, sobretudo não ser alvo de uma mídia tão sensacionalista divulgadora de tragédias e problemas sociais que deveriam ser antes de tudo, investigados.
Por fim, quem não se lembra do Caso Escola Base? Na época, uma imprensa avassaladora arquitetou tragicamente todo noticiário que condenou os proprietários. A polícia não só acolheu a denúncia de abuso sexual infantil, como também alardeou junto à imprensa antecipando uma condenação dos donos da Escola Base, que só no final do inquérito, dez anos depois, foram declarados inocentes. O papel da mídia é reportar a notícia de maneira imparcial, mas diante de fatos esdrúxulos como esses, ainda há muito que se progredir no âmbito jornalístico.
Veja mais erros jornalísticos na barra de vídeos logo abaixo.


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